Por Alexandre MorenoAgência BOM DIA
"Vamos tocar o terror". Foi desta forma que a sambista Alcione recebeu o primeiro elogio pelo seu novo álbum, "Acesa", o 34ª de sua carreira.
A manifestação veio de uma mulher, empolgada após ouvir o CD, mais uma obra com o jeito Alcione de ser e cantar, com seu olhar aguçado sobre o mundo feminino. "Eu não domino essa paixão", "Dama da paixão", "Não me peça pra ficar", "Quem dera" e a faixa-título "Acesa" são músicas que retratam aquela mulher sentimental, apaixonada e sensual, personagem marcante e freqüente na voz de Alcione.
"Eu gosto muito de cantar sobre o mundo feminino. A mulher gosta de se sentir prestigiada e algumas vezes curte também essa dor de cotovelo, esse esculacho. O samba é um meio masculino, mas dá para puxar para cá [lado feminino] todas essas coisas boas do samba. Eu achei um barato quando uma mulher ouviu o CD e me disse: 'Marrom, com essas músicas nós vamos tocar o terror", afirma a cantora em conversa com o BOM DIA pelo telefone.
A mulher cantada por Alcione consegue reunir várias personalidades. Se uma hora ela canta, mandona e segura, "Só come gostoso se for no meu prato", em outro momento ela se entrega: "Eu me preparei inteira para você, pra satisfazer a sua imaginação".
Mas é claro que Alcione não esqueceu de incluir uma boa cozinha de batuque. Esta maranhense com sangue carioca foi buscar no Amazonas a música mais animada do disco. "A casa da mãe da gente" foi composta por dois amazonenses. O sambão chegou até Alcione pelas mãos de seu produtor, que também é do Norte do país. "Eu sou o que é cada uma das casas das mães, animada e alegre. Essa casa existe no Rio, em São Paulo, no Brasil inteiro", diz.
Quem ouvir "Acesa" vai ter certeza de que está diante de um trabalho completo, capaz de dar espaço para todas as vertentes do samba. "O sono dos justos" e "Imperador Tocantins" exaltam as belezas naturais do Rio de Janeiro e do rio Tocantins, respectivamente. "Quando eu ouvi 'Iluminando o Cristo Redentor, estou sereno sem sinal de dor, vou me deitar com esta cidade' [trecho de sonho dos justos], eu me arrepiei toda. É maravilhoso isso", afirma.
Mulheres, mãe, Rio de Janeiro, rio Tocantins, todos estão homenagedos em "Acesa". Mas você acha que está faltando alguma homenagem? Não, Alcione não esqueceu dele, do samba. "O Samba me chamou" é pura exaltação, a começar por um de seus autores, Sombrinha, ex-Fundo de Quintal. O Grupo Revelação, um dos nomes mais importantes do pagode, canta a faixa com Marrom.
"Nós quase não agradecemos ao samba. E foi o samba que me deu valor [diz Alcione, aproveitando-se de um dos trechos da música]. Quantas vezes eu tiver que tirar o chapéu para o samba, vou fazê-lo", fala a sambista.
O samba também te agradece, Alcione, a Marrom.
Mangueirense se anima com Carnaval 2010
Alcione, como toda boa mangueirense, conta os dias para a chegada do Carnaval 2010. A escola sofreu com resultados poucos expressivos nos últimos anos e viu seu nome envolvido com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Por isso, o próximo ano é visto pelos mangueirenses como o ano da redenção.
Beth Carvalho está de volta à escola e a diretoria se renovou com Ivo Meirelles na presidência. O enredo para 2010 será "Mangueira é a música do Brasil". "Nosso enredo vai homenagear o samba, a música brasileira. Isso é muito importante. O samba vive uma nova fase, está tocando em lugares onde nunca tocou, crescendo. Hoje eu acho que o samba deveria ser ensinado em escolas públicas, como cultura", afirma.
Quando fala da Mangueira, Alcione mostra seu lado mais carioca. Mas a cantora garante que não esquece São Paulo. "Sentei com a minha irmã, que é a pessoa que faz minha agenda, e disse: 'Nós estamos devendo ao Interior de São Paulo'. Eu sempre fui muito bem recebida no Interior, mas confesso que faço poucos shows por aí. Na turnê deste novo CD vou mais ao Interior, pode esperar."
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