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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!

07 outubro, 2007

Alcione emociona o público e coloca Taubaté pra sambar

Por Giovanni Romão

De maneira estonteante, ela literalmente invade o palco. O público lota o salão da Estrutura Music Hall para apreciar e se deliciar com o som da maior intérprete de samba do país na atualidade, Alcione – a “Marrom”. A sambista não excita em começar o show com um de seus maiores sucesso, Estranha Loucura, música que já gravou inclusive com Alexandre Pires.

Na seqüência ela traz incomparáveis clássicos em pot-pourri, como ‘Sufoco’ e ‘O Surdo’, além da verdadeira roda de samba formada por ‘Cadê Tereza’, ‘’Chove chuva’, ‘Que maravilha’, ‘Bebete Vãobora’, ‘Take it Easy My Brother Charles’, e ‘Jorge de Capadócia’. O público vai ao delírio quando ela dispara: “Faz tempo que não venho em Taubaté; Vocês me abadonaram!”. A proximidade com o público é evidente, quem está na primeira fila estende a mão para cumprimentar Alcione, mas ela explica o porque não responde aos apelos. “Aqui não tem frescura não; Só não abaixo por estar com uma tornozeleira (ela levanta o vestido para mostrar), e qualquer puxão que me derrubar pode ser complicado!”, brinca sempre com o grande sorriso estampado no rosto.
Quando ela parte para as músicas mais sensuais a galera não se intimida; Solta a voz, sempre com o samba no pé e canta junto com a estrela da noite, que por várias vezes, tira o microfone da boca passando o comando ao público. Alcione se desmancha interpretando ‘Você me vira a cabeça’, ‘Meu vício’, ‘Meu ébano’, ‘A loba’, ‘Menino sem juízo’ e ‘Garoto Maroto’, com uma presença de palco não vista em qualquer apresentação.
Alcione conversa com o público a cada música, explica o que vem na seqüência do show, fala de samba, homenageia grandes mestres como ‘Cartola’, sua paixão pela Estação Primeira de Mangueira, da realidade atual no país, quando comenta e canta sobre a Lei Maria da Penha, e põe o povo pra sambar com clássicos do samba/MPB. Nada se compara a interpretação de ‘Não deixa o samba morrer’, de Edson e Aloísio.
O suor de “Marrom”, enxugado incessantemente com o inseparável lenço branco, demonstra o quanto ela se entrega ao prazer de conduzir um show de samba, de fazer aquilo que o dom lhe permite: soltar a voz e chegar ao ponto de tirar lágrimas dos olhos do público na interpretação de composições que ficarão eternamente na história do samba.
Alcione aproveitou para destacar o seu novo CD, ‘De tudo que eu gosto’, que traz a música sobre a Lei Maria da Penha, em defesa dos direitos da mulher, e o grande sucesso de trabalho, ‘Perdeu, Perdeu’.

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